Como observar um eclipse solar sem magoar os olhos
Um filtro certificado em todos os momentos exceto durante a totalidade, e mais nada serve. Óculos de sol, vidro fumado, película velada e ecrãs de telemóvel não são filtros, e o perigo é silencioso.
Durante um eclipse parcial o Sol é tão perigoso de olhar como em qualquer outro dia. Não se torna mais seguro por estar coberto na maior parte: a porção que resta é a mesma fotosfera com o mesmo brilho, apenas há menos dela. O que muda é que um eclipse dá um motivo para ficar a olhar, e o incómodo que normalmente o impede não aparece.
A retina não tem recetores da dor. A retinopatia solar não dói enquanto acontece e os seus sintomas surgem horas depois, quando o dano já está feito. Nada do que se sente avisa que é preciso parar.
O que é um filtro e o que não é
Um filtro solar seguro deixa passar cerca de uma cemmilésima parte da luz visível e bloqueia também o infravermelho e o ultravioleta. Os óculos de eclipse certificados e os visores solares de mão fazem-no; a norma a procurar é ISO 12312-2.
Nada improvisado o consegue. A lista abaixo não é uma lista de coisas piores: é uma lista de coisas que na prática não oferecem proteção nenhuma.
- Óculos de sol, por mais escuros que sejam, e qualquer número de pares sobrepostos
- Vidro fumado, película fotográfica velada, película radiográfica
- Um ecrã de telemóvel, uma máscara de soldador abaixo do grau 14, um CD
- Olhar o reflexo na água, ou através das nuvens, ou ao pôr do sol
O último é aquele em que mais gente se engana. Um Sol atenuado pela bruma ou pela pouca altura está atenuado no visível, o que suprime o reflexo de desviar o olhar e deixa o infravermelho praticamente intacto.
A única exceção, e onde começa e acaba exatamente
Durante a totalidade — e só então — a Lua cobre a fotosfera por completo, e olhar a olho nu é seguro e até necessário. Um filtro nesses dois minutos não mostra absolutamente nada: a coroa brilha mais ou menos como a Lua cheia.
Os limites são o segundo contacto e o terceiro contacto, e são nítidos. O filtro sai quando desaparece o último resto de fotosfera e tem de voltar no instante em que ela reaparece — o que é anunciado, em ambas as extremidades, pelas contas de Baily a fragmentarem-se ao longo do limbo lunar.
Um eclipse anular não tem uma janela dessas. A Lua nunca cobre o Sol por completo, pelo que o anel que resta é fotosfera em pleno brilho e o filtro fica do princípio ao fim. O mesmo vale para qualquer eclipse parcial, por mais profundo que seja.
A projeção, que não precisa de filtro nenhum
O método mais antigo continua a ser dos melhores e não pode danificar nada: deixe o Sol passar por um furo pequeno até uma superfície colocada um ou dois metros atrás e olhe para a imagem, não para o Sol. Um escorredor de cozinha, um chapéu de palha ou os intervalos entre as folhas de uma árvore servem — durante um eclipse parcial profundo, uma árvore projeta no chão centenas de crescentes sobrepostos, e é uma das coisas mais estranhas e memoráveis de todo o fenómeno.
Actualizado a 25 de agosto de 2026.